Economia e o Mundo Globalizado (parte 1)

                        

Por Eric Carro
(PS: Caro leitor,perdoe o caráter idiossincrático do texto, visto que a análise e o pensamento econômico exigem a percepção direta do indivíduo.)


Devo admitir que, desde o momento em q
ue comecei a estudar humanidades através de meu método educacional anarquista, a economia sempre me chamou atenção. Seus fenômenos me pareciam muito complexos e compreendê-la seria um alívio à consciência. Afinal, como uma ciência que estuda a escassez de recursos e as crises econômicas poderia ser desinteressante? Não seria um descaso o povo de um país que foi fortemente afetado e empobrecido pela inflação não se atentar para a economia?

Exatamente por esse motivo que os jornais brasileiros, até os dias atuais, dão bastante ênfase à economia. Trata-se do velho ditado: cão mordido por cobra tem medo de linguiça.


Mas o que causou esse caos? O que poderia evitá-lo? Quais as consequências das políticas econômicas X e Y? Nada mais natural para o ser humano que fazer esses questionamentos após se deparar com várias correntes de opiniões distintas e com vários fenômenos à sua frente. Após a formação moral e imaginativa, sucedida pelo conhecimento de fenômenos políticos e sociais, o objetivo passa a ser descobrir qual das correntes de pensamento é a correta e que defende a verdade; ou então a verdade sem ser representada por nenhuma das correntes existentes.


A leitura de “As Seis Lições” do austríaco Ludwig von Mises me ensinou muito sobre o verdadeiro caráter da economia de mercado, e como ela é apresentada de maneira obscura pelo ensino padronizado pelo MEC – justificando meu método educacional anarquista supracitado. Entretanto, o capítulo mais esclarecedor daquele pequeno livro foi sobre a inflação: Mises explica como a emissão descontrolada de moeda gera a desigualdade social e a instabilidade de preços.


O exemplo é simples: imagine um governo que deseja empreender uma guerra. O governo contrata os serviços da indústria de armamentos, e caso não haja orçamento para arcar com as despesas, há a emissão de moeda. Os primeiros a
receber aquela moeda recém-impressa – no caso, o dono da fábrica e seus funcionários – pagam os mesmos preços que eram cobrados antes da emissão dessa nova quantidade de moeda. Como houve aumento de demanda, o dono do restaurante eleva os preços, e aqueles que não trabalham para a indústria armamentista – isto é, o restante da população – terão de arcar com custos mais elevados.

Deste modo, o caso da hiperinflação brasileira estava explicado. Poucos enriqueceram e muitos ficaram mais pobres. O causador de nossa desigualdade social foi o Regime Militar, sobretudo a partir do governo Geisel e o governo de José Sarney com seus planos econômicos fracassados. O aprendizado foi: para evitar a inflação, devemos prezar pela responsabilidade fiscal, e ter ciência de que as gerações futuras também pagarão pelas nossas dívidas.


Porém, antes de ler “As Seis Lições” de von Mises, já sabia de sua importância para o pensamento econômico. Quando me deparei com a apresentação das ideias de Karl Marx e dos revolucionários socialistas, sabia das boas intenções daqueles doutrinários. Mas havia um problema: por quê então nenhum regime socialista deu certo e aqueles que ainda existem passam por penúria? Eu então decidi pesquisar e me deparei com a tese de Ludwig von Mises denominada “O Problema do Cálculo Econômico”. A tese é tão simples quanto sua explicação para a inflação: ao eliminar a propriedade privada, elimina-se a livre concorrência; quando a livre concorrência é eliminada, não há formação de preços; e sem a formação de preços, não existe “economia socialista”,


A partir d’O problema do cálculo econômico e das análises sobre o fracasso dos experimentos socialistas, percebi que era inviável defender o sistema econômico socialista. Entretanto, continuei sendo favorável ao Estado de bem-estar soial e me considerei social-democrata, pois era o único pensamento político e econômico compatível com a realidade sob o olhar de um adolescente. Ora, o New Deal não tinha salvo os EUA da Grande Depressão? O governo Clinton, um democrata, não foi uma maravilha no ponto de vista econômico? A Escandinávia não é o lugar mais próximo do paraíso na Terra? O governo FHC não deixou um legado fenomenal para o Brasil? A União Europeia não é um sucesso?


Primeiramente, o New Deal, diferentemente de como é ensinado nos colégios e de como os vestibulares nos cobram, não salvou os EUA da Grande Depressão. Não estou mandando ninguém marcar a questão que afirma isso sobre o New
Deal em vestibulares “padrão MEC”, mas para compreender os seguintes fatos: a causa da Grande Depressão foi a política de crédito fácil adotada pelo Federal Reserve, e não a superprodução como nos dizem no colégio – porém, se o vestibular perguntar, marque que foi a superprodução; e o New Deal regulamentou e cartelizou a economia norte-americana, de modo que a Grande Depressão acabou sendo prolongada.(mais informações em: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=97 ; http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=130 )

Em segundo lugar, o “fantástico” governo Clinton, que foi economicamente esplêndido em relação ao governo de George Bush, só é descrito desta maneira nos dias de hoje pelo seguinte fato: os republicanos dominavam o Congresso – tanto o Senado quanto a Câmara dos Representantes. Portanto, era inevitável o conservadorismo fiscal por parte de Clinton, que ora defendia as ideias da Terceira Via, ora defendia a economia de mercado em reuniões internacionais. Por isso, Milton Friedman afirmou que “o ideal para os EUA é ter um presidente democrata”, visto que desde a candidatura de McGovern em 1972, o não-intervencionismo, a paz internacional e a defesa do Estado liberal, por meio de instituições internacionais, ao redor do mundo se tornaram bandeiras democratas; “e um congresso republicano” para que houvesse, entre os opositores desse presidente, conservadorismo fiscal e a defesa dos valores americanos (sic).


Em se tratando da Escandinávia, temos de lembrar de alguns fatores: o Estado de Bem-Estar social norueguês é custeado pelo petróleo que se encontra no território daquele país; a aceitação deliberada de imigrantes por parte da Suécia tem causado distúrbios e caos nas ruas de suas cidades mais importantes; a legislação desses países é uma afronta aos mais tradicionalistas no ponto de vista social; é relativamente fácil administrar um Estado de bem-estar social em um lugar pequeno, rico e pouco populoso como a Dinamarca e, last but not least, há liberdade econômica nesses países. Embora a característica mais marcante desses locais seja o Estado de bem-estar social, ele não seria possível se não houvesse uma economia livre em outros aspectos, excetuando a tributação: abre-se muito rapidamente uma empresa nesses países e é mais fácil contratar e demitir funcionários – o que é aprovado até pelos sindicalistas, desprovidos do espírito de Macunaíma na busca pelos seus direitos.


Finalmente, chegamos ao Brasil. O governo FHC nos deixou um legado muito bom no ponto de vista econômico. O Plano Real, as privatizações e a Lei de
Responsabilidade Fiscal são provas disso. No entanto, há um problema: não foram feitas por convicção ideológica, pois se dependesse apenas das ideias de caráter social-democrata do partido do ex-presidente, não teriam sido feitas tais reformas. Esse pragmatismo só ocorreu por causa dos conselhos de economistas renomados e de determinações do FMI. E se FHC fosse tão liberal – ou neoliberal, como nos é mostrado no ensino secundário -, não teriam sido feitas privatizações, mas desestatizações: as privatizações que foram feitas eram seguidas de regulamentações, aumento de tributos e criação de agências reguladoras. Que tipo de liberalismo é esse em que o Estado parece diminuir, mas cresce? Talvez seja o tal do neoliberalismo.(Veja mais em: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=835)

E a fantástica União Europeia? Bem, a União Europeia foi fundada por homens que acreditavam no princípio da subsidiariedade, na economia de mercado, e na importância dos Estados nacionais; porém, interesses de determinados países que não gostavam de austeridade fiscal (os países do sul, sobretudo a França) e queriam acabar com o marco alemão e adotar uma moeda única. Durante o processo de integração, ocorreram várias modificações no projeto da União Europeia que a faz ter o caráter que possui hoje: um Império, uma “supranação”. Atualmente, há a tentativa de criar uma identidade cultural europeia, e isso fará as identidades nacionais desaparecem. Quem possui identidade pelo seu país deverá se acostumar com a identidade europeia, ou será taxado de antiquado. Há como negar que se trata de uma medida arrogante?


Mais arrogante foi a imposição do Euro, que ocasionou a crise que vimos acontecer na Europa nos últimos anos, e exigindo que países distintos se tornassem economicamente idênticos.
Além disso, os europeus mais jovens estão sendo infantilizados pelos governos de seus países, fazendo-os acreditar que possuem direitos infindáveis e nenhuma obrigação em contrapartida. Seria demasiado confortável viver neste mundo, mas ele infelizmente não existe. (Mais informações em:http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=71)

Deste modo, rejeitei as principais correntes de pensamento econômico de esquerda, seja ele social-democrata, socialista, de terceira via ou o que for. O que eles têm a nos tirar é sempre mais do que eles têm a nos fornecer, seja a longo, a médio, ou a curto prazo.

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